No ritmo do blues & o beat dos fonemas
Em No ritmo do blues & o beat dos fonemas, Odair de Morais troca o estúdio de som pelo escritório, mas não abandona a mesa de mixagem. Aqui, a tradição japonesa das dezessete sílabas poéticas encontra a ginga do asfalto, o chiado do vinil e a precisão do sample. Como um DJ das palavras, o poeta captura o voo de uma andorinha em câmera lenta assim como registra o eco de um grito a ressoar pelo beco. Não se trata de uma poesia apenas para ser lida. É uma sinfonia para ser contemplada no compasso da dança e no improviso da vida.
A noite que nunca aconteceu
Em 1974, um jovem de dezoito anos chega a Cuiabá e encontra uma cidade ainda distante dos grandes centros urbanos. Ali, novas amizades, descobertas e um amor inesperado começam a transformar sua vida. Entre as ruas da cidade, as longas viagens pelo Mato Grosso e a paisagem enigmática da Chapada dos Guimarães, episódios aparentemente desconexos deixam marcas profundas em sua trajetória.
Ao som das músicas que embalaram uma geração, a narrativa percorre as décadas de 1970 e 1980, entrelaçando temas como identidade, pertencimento e paternidade. Nesse percurso, o protagonista se torna testemunha involuntária de acontecimentos que, embora pareçam aleatórios, revelam conexões surpreendentes com a história do estado.
Entre ciência e fé, amor e amizade, memória e mistério, o passado ressurge quando menos se espera. Anos depois, fatos que pareciam definitivamente encerrados voltam a se manifestar, trazendo novas perguntas e revelações. Afinal, talvez alguns encontros não sejam obra do acaso.
Visite o site do autor e obra: Livro | A Noite que Nunca Aconteceu
Enquanto muitos gritam, nós lemos
A obra explora a intertextualidade e apresenta, de modo criativo, um diálogo ficcional entre personagens clássicos da literatura — Hamlet, Capitu, João Grilo e ainda Zé Pacato, criado pelo próprio autor. Nessas conversas filosóficas, eles abordam a dificuldade do leitor iniciante em deixar de lado os apelos da sociedade contemporânea em rede, veloz e exigente, que “grita”, subtrai tempo de vida das pessoas e as afasta do tesouro que a leitura de livros proporciona: parar, sentir, refletir e, sobretudo, silenciar interiormente.
Sacadas para solos de canto e arremedo
Nos poemas de Icleia, as palavras brotam com a naturalidade dos sentimentos genuínos e a preciosidade do domínio sensível dos significados. Os versos traduzem o sentir humano como fenômenos da natureza e revelam um olhar que adentra o corpo, explorando-o em suas emoções mais sinceras, por meio de um linguajar que acolhe os(as) leitores(as) e lhes oferece um cafezim quentim, desses que aquecem a alma, pousado com cuidado sobre uma toalha com barrado de crochê.
Vidas: 60 microcontos para viagem
Nestes microcontos, que o autor diz ter escrito em versos (conforme a apresentação), a linguagem alterna suas vestes de poesia, de prosa e de lugares-comuns para compor gestos cotidianos íntimos ou coletivos. Os episódios têm sabor de um tempo fotografado, como se o olhar escolhesse dizer apenas o suficiente. Empreitada de quem anda com os “pés no chão”, a “cabeça nas nuvens” e um “coração descompassado”.
Tudo o mais é viagem, doravante guiada pelo leitor.
Inclassificáveis
A pacata rotina da cidade de Cartesinos se transforma completamente com a chegada do circo. Mas não é um circo qualquer. A trupe que se apresenta na cidade é tão estranha que seus integrantes passam a ser conhecidos como “inclassificáveis”. A narrativa baseada no impacto da arte no cotidiano embrutecido conduz o leitor a refletir sobre a importância de valores imateriais no mundo contemporâneo. Descobriremos que o sonho é tão essencial quanto a vida.
Obra aprovada no PNLD 2021.
Contém material de apoio ao professor na aba "sala dos professors"
Aviso prévio
Das Neves, um pescador que vive em uma pequena cidade na Amazônia, comenta com seu cunhado que Deus deveria revelar a data da morte de cada um de nós. A conversa se espalha, chegando aos ouvidos de um deputado, que propõe o projeto de lei ‘Aviso Prévio’. Em pouco tempo, multidões ocupam as ruas
e ‘Aviso Prévio’ se torna o assunto mais falado em todo o mundo, levando a ONU, o Vaticano, a CIA e as pessoas mais poderosas do planeta a quererem pôr um ponto final naquela situação.
O fervo da terra
Luana é uma jovem de 18 anos que atua como jurada em um tribunal criminal. Por meio dos depoimentos genuínos do indígena Aké, ela passa a conhecer e refletir sobre uma realidade distante da sua: a migração de gaúchos para os estados do Norte do Brasil em busca de novas oportunidades e os conflitos que surgiram quando se depararam com a “corrida do ouro”, entre as décadas de 1970 e 1990. Esse período foi marcado pela criação de cidades e vilarejos de crescimento desordenado, o que abalou o equilíbrio das comunidades rurais e afetou profundamente a situação sociocultural dos povos indígenas que sempre habitaram a região.
A narrativa entrelaça tramas que envolvem relações familiares, a ganância pelo lucro rápido com o ouro, paixões, conquistas morais e suas derrotas, além da devastação da natureza.
A narrativa entrelaça tramas que envolvem relações familiares, a ganância pelo lucro rápido com o ouro, paixões, conquistas morais e suas derrotas, além da devastação da natureza.
Selvagem
A leitura de Selvagem nos coloca diante da complexidade do sujeito que se recusa a fazer parte de uma civilização barbarizada. Com versos breves, em uma linguagem clara e nominal, o poeta diz as contradições e desajustes do homem nessa civilização. Como na metamorfose de Kafka, mas às avessas; o poeta percebe o bicho que amanhece, de repente, humano. Em vez do sentimento do absurdo que nos toma e nos leva a um mundo imaginário, o poeta é tomado pelo sentimento de mundo drummondiano, do homem diante de suas limitações, ou seja, um “eu” tão menor que o mundo.
O falar cuiabano
Didáticos / Paradidáticos, Antropologia, Cultura Indígena, Carlini & Caniato, Educação, História, Literatura
O Falar Cuiabano descreve a composição cultural que constituiu a Cuiabania e seu linguajar típico: a herança dos povos indígenas, especialmente os Boe-Bororo; os espanhóis da bacia do rio da Prata, no séc. XVI; e os portugueses das bandeiras paulistas, no séc. XVIII.
Mostra os principais traços linguísticos que singularizam o dialeto cuiabano, exemplificando-os. Homenageia o ator Liu Arruda e o escritor Silva Freire, cujas obras valorizaram este falar. Além disso, instiga os leitores a pesquisarem e registrarem as vozes anciãs da tradicional Baixada Cuiabana, hoje ameaçadas de extinção por causa do assimétrico processo de (des)envolvimento que vem alterando implacavelmente os cenários ambientais e culturais de Mato Grosso.
Noves fora
Cristina Campos nos revela o Noves Fora das Letras, aquela prova matemática para checar se as contas estavam certas, que parecia uma fórmula mágica. Toda uma ordem dissimulada e escondida era revelada. Noves Fora, Nada!
Assim é Noves Fora o livro, onde texto, formas e ilustrações se fundem para criar uma voz própria. De repente, uma coisa vira outra. Não há mapa, traçado, sinopse. Não há medula nem tronco. Noves fora é um método radicular de escrever que vai despretensiosamente se esparramando inconsútil até vicejar livro.