Paulo Sesar Pimentel

“Ele ouviu as três frases, ele ouviu as três ordens, mas sentiu um cansaço grande, tão grande, que as pernas não obedeceram, mesmo a ordem tendo sido dada pelo policial, tendo sido dada pelo seu cérebro. Às vezes a periferia do corpo age como a periferia do mundo, é ignorada e também se vê no direito de ignorar o que vem do alto, o que vem do centro”.

Este é um trecho do conto “A ressaca, a estática e as ondas suaves”, de Paulo Sesar Pimentel. A história faz parte do livro “O cão sem penas”, publicado pela Carlini e Caniato Editorial em 2014. Este é o terceiro livro do autor.

Paulo Sesar Pimentel nasceu no interior de Mato Grosso do Sul, mas mora há mais de vinte anos em Mato Grosso. Mestre em Estudos de Linguagem pela Universidade Federal de Mato Grosso, atua como professor de literatura em Cuiabá.

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(Foto: Hivi Coelho)

Composta por treze contos, “O cão sem penas” discute relações humanas na contemporaneidade, indo do amor à solidão, especialmente diante da morte. Há também o estabelecimento de um diálogo com outros autores da literatura brasileira, especialmente João Cabral de Melo Neto e Caio Fernando Abreu.

Nas histórias, a ação é quase sempre interiorizada pelo uso de recursos como a voz em primeira pessoa. Com essa interiorização, a vida se adensa, tanto para o leitor, quanto para a personagem. Na ficção de Paulo Sesar, as grandes protagonistas são as perguntas sobre a vida. Sem preocupar-se em dar a resposta, o autor pretende com seus contos incomodar e atrair o leitor para mais questionamentos.

Além de “O cão sem penas”, Paulo Sesar Pimentel também publicou “Diário de uma quase” (2010), “Café com formigas” (2005), “Ângulo bi” (2002, com outros autores mato-grossenses) e o guia de leitura “Dez modernistas” (2004, com Santiago Villela Marques).

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Do mesmo autor: “Diário de um quase”

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“Diário de uma quase” é o segundo livro de contos de Paulo Sesar. Os contos descrevem personagens contemporâneos com sensações incômodas e, talvez, deslocadas de uma galeria de almas tristes diante das (in)capacidades das relações com as formas estabelecidas de mundo. No entanto, no ponto onde as possíveis experiências ruins e traumáticas ultrapassam o individual e tornam-se coletivas e, transformam-se, de algum modo, em belas. Você pode adquirir a obra clicando AQUI.