Vidas: 60 microcontos para viagem
Nestes microcontos, que o autor diz ter escrito em versos (conforme a apresentação), a linguagem alterna suas vestes de poesia, de prosa e de lugares-comuns para compor gestos cotidianos íntimos ou coletivos. Os episódios têm sabor de um tempo fotografado, como se o olhar escolhesse dizer apenas o suficiente. Empreitada de quem anda com os “pés no chão”, a “cabeça nas nuvens” e um “coração descompassado”.
Tudo o mais é viagem, doravante guiada pelo leitor.
Inclassificáveis
A pacata rotina da cidade de Cartesinos se transforma completamente com a chegada do circo. Mas não é um circo qualquer. A trupe que se apresenta na cidade é tão estranha que seus integrantes passam a ser conhecidos como “inclassificáveis”. A narrativa baseada no impacto da arte no cotidiano embrutecido conduz o leitor a refletir sobre a importância de valores imateriais no mundo contemporâneo. Descobriremos que o sonho é tão essencial quanto a vida.
Obra aprovada no PNLD 2021.
Contém material de apoio ao professor na aba "sala dos professors"
Aviso prévio
Das Neves, um pescador que vive em uma pequena cidade na Amazônia, comenta com seu cunhado que Deus deveria revelar a data da morte de cada um de nós. A conversa se espalha, chegando aos ouvidos de um deputado, que propõe o projeto de lei ‘Aviso Prévio’. Em pouco tempo, multidões ocupam as ruas
e ‘Aviso Prévio’ se torna o assunto mais falado em todo o mundo, levando a ONU, o Vaticano, a CIA e as pessoas mais poderosas do planeta a quererem pôr um ponto final naquela situação.
Noves fora
Cristina Campos nos revela o Noves Fora das Letras, aquela prova matemática para checar se as contas estavam certas, que parecia uma fórmula mágica. Toda uma ordem dissimulada e escondida era revelada. Noves Fora, Nada!
Assim é Noves Fora o livro, onde texto, formas e ilustrações se fundem para criar uma voz própria. De repente, uma coisa vira outra. Não há mapa, traçado, sinopse. Não há medula nem tronco. Noves fora é um método radicular de escrever que vai despretensiosamente se esparramando inconsútil até vicejar livro.
Grande depósito de bugigangas
“Grande depósito de bugigangas nos fala de nossas fantasias, de quanto elas valem em um mundo dominado pela forma mercadoria, de como, por fim, elas são aprisionadas por conta de sua pouca importância nesse universo amplamente reificado.
O livro trata de um mundo em que os perdedores, sem alternativa, veem as portas se fecharem para eles e são obrigados a assistir seus opostos desfilarem exibindo as coisas e metais que possuem. Nesse lugar, nem mesmo os amuletos, santos ou orações são capazes de nos livrar do sofrimento. Numa vereda incerta, em meio ao caos imenso, o silêncio é a única resposta ao desespero dos gritos de angústia.”
Carga de cavalaria
Sob o sol seco: o sertão que resiste
Sob o sol seco: o sertão que resiste nos leva ao coração do sertão nordestino, onde um cientista, movido pela razão, e um empresário ambicioso se deparam com uma terra teimosa e uma comunidade que resiste às mudanças. Encontros tensos, promessas, uma natureza indomável e a cultura de um povo se entrelaçam em uma sensível trama.
Sentença: poemas selecionados
Sentença – é uma seleção de cem textos feitos pela autora e boa parte deles publicados em outras obras.
Neste livro, a sentença que de modo geral pode ser definida como uma determinação jurídica, uma frase completa… não se fecha, pelo contrário, se abre para jogos sonoros, construções precisas, temas incomuns e visão aguçada do mundo contemporâneo.
Divanize trabalha as palavras em função das ideias com arte, erudição e olhar crítico para a vida.
Instante pictórico
Instante pctórico diz a que veio, descrevendo verdadeiras pinturas do cotidiano numa leitura leve, rápida e nem por isso pouco intensa. Odair de Morais ajustou o foco, caprichou no zoom e trouxe à tona um desfile de belos poemas. Pequenos na estrutura e grandes aos olhos de quem os lê: breves fotografias para se guardar na memória.
A gramática do romance brasileiro
A gramática do romance brasileiro é o resultado da tese de doutorado de Eduardo Mahon, cujo objetivo é demonstrar o vínculo temático que norteia a literatura brasileira nos últimos dois séculos. A singularidade do estudo acadêmico se revela com a demonstração da influência dos críticos do passado sobre os autores e as reações literárias daí advindas, formando-se um normativo circuito autorreferente.
O apelo identitário nacional, inicialmente inspirado pelo romancismo patriótico, ainda ecoa pelo século XXI, conforme mostra a pesquisa ao oferecer ao leitor uma série de recortes diacrônicos da literatura brasileira. Ao selecionar romances contemporâneos e premiados, o pesquisador demonstra uma atualização da tradição nacional que se vale de estratégias narrativas e imagens sedimentadas no público.
Forró: o corpo não mente
A autora é escritora já renomada e frequentadora das animadas pistas de forró da noite paulistana. Embalada pelo ritmo, leva os leitores para este universo, através de 20 crônicas “forrozeiras”. Em cada uma um olhar diferente, inusitado e contagiante sobre o tema. Deborah esbanja nas descrições, explora todos os sentidos tanto das personagens como dos leitores: cores, texturas, aromas ou mesmo odores, temperaturas, sons... tudo rodopia e enebria neste curioso salão que se torna o livro. Junte-se e se deixe levar pelo ritmo fluido do livro.
O forró segue vencendo preconceitos, dessa vez no campo da literatura. Muitos podem se surpreender com um livro de crônicas inspirado no gênero dançante, mas como o mestre das crônicas Mário Prata anuncia no prefácio do livro, “Quando li a primeira crônica – e pasmei! – pensei que ela havia esgotado toda a sua cultura – nada acadêmica – sobre o tema. E é aí que resiste o fenômeno literário que você está pra ler. Sim, fenômeno! Além do primeiro texto, são vinte pedaços de forró. Em cada um, acredite, um olhar diferente, um tema mais inusitado que o outro.”
Deborah consegue extrair o sumo de suas vivências com sua linguagem ágil e reflexiva. Em 2011, navegou os rios amazônicos para escrever um romance finalista do Prêmio Jabuti sobre a Guerra da Cabanagem. Em 2019, conviveu com comunidades quilombolas ao Norte do Espírito Santo para escrever, em co-autoria, outro romance finalista do Prêmio Jabuti. Agora, foi a vez de se debruçar sobre o forró sudestino, que teve um papel importante na sua vida pós pandemia: “O forró me salvou de várias formas. Na retomada do corpo, na relação com os outros e na ressocialização.”
A escritora havia testemunhado na juventude a revolução cultural que significou o surgimento do forró universitário na virada do Século XX em São Paulo. Entendeu que essa história precisava ser contada, transporta para a literatura. A partir do convite de Toshio Yamasaki, começou a escrever crônicas para o site Forró Fonte de Felicidade. Rapidamente, as crônicas forrozeiras se tornaram parte da vida forrozeira paulistana, suscitando temas divertidos e, ora, polêmicos, “O forró é tão maleável que foi acomodando novas tendências da sociedade, como o questionamento da heteronormatividade na dança.”
Acima de tudo, as crônicas são sobre a vida que habita em cada cotidiano:
“Os corpos forrozeiros só precisam uns dos outros. No salão, estão corpo a corpo. Cada qual com o seu tamanho e forma específica, uns altos e outros baixos, uns fortes e outros magros, com seus perfumes e odores característicos, ora doces e amadeirados, suas texturas – mãos calosas ou suaves, cabelos longos, ralos ou rastafáris, suas secreções (notavelmente, os suores), seus sons (suspiros, espirros!), seus estilos de vestir – podendo variar do riponga ao heavy metal, alterando em graus de firmeza e molenguiçe, agilidade e lentidão. Cada corpo é uma verdade inexorável, diante do seu, colado no seu, espelhando o seu.”
Saranzal
"Os sarãs são trilhos", diz a autora. E esses trilhos nos conduzem às memórias que ocupam grande parte dos poemas. Há um espaço no masculino que se aprofunda com as lembranças do pai e do avô; trabalho, afetos e natureza bruta formam um emaranhado de sentimentos. Também nas honras à ancestralidade, mãe e avó constituem força, carinho e referência. Luciene é rio, barro, bairro, centro urbano e quintal, mulher madura. Nela, tudo isso é tensão e lirismo.
Na visão do artista Gerald Thomas, o diálogo do visual com o literário se apresenta em traços expressivos, agudos e enigmáticos, como esboços do que está por vir, em tons terrosos do Saranzal de Luciene, que a conectam com a vida.