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O escritor Rômulo Netto, autor de diversas obras de qualidade inegável, faria, nesta quinta-feira (03), 70 anos de idade. Para homenagear o escritor, a família organizou uma cerimônia informal na cidade de Paracatu, Minas Gerais, onde Netto nasceu. Na ocasião, as cinzas do escritor serão as protagonistas de seu último pedido: que seus restos mortais fossem jogados em alguma curva do rio Paracatu.

Netto faleceu em outubro de 2015, em Curitiba, para onde havia se mudado seis meses antes. O escritor, porém, deixou um rico legado cultural, principalmente na cidade de Cuiabá, onde morou por vários anos.

Autor de mais de vinte livros (entre publicados e engavetados), 14 dos quais publicados pela Carlini e Caniato Editorial, Netto era um defensor da qualidade das obras produzidas nas estados periféricos e não só no “Sul-maravilha”, como ele referia-se ao eixo Rio-São Paulo. “Tenho parentes, amigos e conhecidos por todo o país e todos falam que se eu estivesse no sul ou sudeste do país minha obra seria mais reconhecida. Não sei se é só isso, mas também não me importo”, disse Netto em 2009, em uma entrevista para o jornal A Gazeta.

“A minha mensagem é calcada na esperança de que os leitores se multipliquem”, disse Netto em outra entrevista, dessa vez ao projeto Divulga Escritor. Seu livro “Os Deserdados da Sorte” tem apresentação do poeta Manoel de Barros. Já sua obra mais recente, “Sertão de sangue” (2013), inspirou o cineasta Rodrigo Grota a transformar a história em filme. O livro, considerado um “verdadeiro faroeste sertanejo”, vem sendo estudado por Grota há dois anos.

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Além de escritor, Rômulo Netto foi também servidor técnico-administrativo da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) desde os primeiros anos da Instituição. Em seguida, Netto passou pela assessoria de Gabinete da Reitoria, foi presidente da Comissão Permanente de Concurso Vestibular (Copeve) e presidente do Conselho Editorial da Editora Universitária. Ele dedicou-se ao trabalho como Gerente da Gráfica da UFMT (Imprensa Universitária) até sua aposentadoria.

Depois de aposentado, atuou como assessor da Superintendência de Política Indigenista, órgão da Casa Civil do Governo do Estado de Mato Grosso. Nesse período, foi coautor do livro “Universidade Ameríndia – a moderna política indigenista de Mato Grosso” e deu continuidade à produção de novas obras literárias.

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Pela Carlini e Caniato Editorial, Netto publicou: “As Jagunças”, “Filisberto das Âncoras”, “Contos dos Gerais”, “Cidades, Ciudades”, “Bom-dia, Senhor Presidente”, “Tarenço, o Capanga de Lata”, “Os Deserdados da Sorte”, “Tatão Malemais, o Capador de Anjos”, “Transitoriedade, Palavra”, “O Infinito Desespero de Ementério”, “Não Fala Comigo! A História de um Autista”, “Serapião Fala Mole”, “É Proibido Ler” e “Sertão de Sangue”

Veja abaixo as obras  que estão disponíveis para todo o Brasil:

Sertão de Sangue

Sertão de Sangue é o segundo volume da trilogia Faroeste Sertanejo. Um quê de mistério norteia esta obra: Zé das Mortes é obrigado pelo coronel Izabelino a matar treze pessoas. Por trás da trama está o passado escabroso do coronel. Um mar de sangue tomará conta do sertão. Zé das Mortes vai matando um por um até que a consciência o obriga a pensar a razão de tamanha crueldade.

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Serapião Fala Mole

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Serapião nada mais é do que o alter ego do autor. Um semeador do amor aos livros. Sempre com o pensamento certo, reto e uma convicção eterna de que o livro faz muito bem à humanidade. O homem matuto na profundidade de sua sabedoria, a fauna, a flora e as veredas são temas constantes em seus escritos. Como Serapião Fala Mole Romulo alimenta-se de ventos e de sonhos.

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É Proibido Ler

É Proibido Ler. São seis contos para o público infanto-juvenil onde o tema central é sempre o livro e a leitura. Para um escritor, nada mais prazeroso do que escrever sobre o que faz. Ler é estimulante e fazer da leitura um hábito tornou-se sua maior preocupação retratada nesta obra.

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Transitoriedade, Palavra

Nesta obra o autor mescla o conteúdo com poemas de sua primeira fase poética a um romantismo leve, suave e contagiante. A personagem Palavra, um indígena do Alto Xingu é sequestrado e levado para o Vale do Anhagabaú. Entretanto, menos de um ano depois trabalhando na Superintendência de Política Indígena, órgão da Casa Civil do Governo do Estado de Mato Grosso, conhece a índia Manauaka Yawalapiti.

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O Infinito Desespero de Ementério

Ementério fez de tudo na vida até tornar-se assassino cruel. Por outro lado surge uma nesga de bondade em seu caráter. Começa aplicando em seus pagos a agricultura familiar atraindo a atenção de muitos seguidores que viam na prática a possibilidade de melhorar a vida. Eis que então vê seu povoado invadido por um pastor evangélico que deseja a todo custo escravizar o povo, cobrando dízimos altíssimos. A partir desse fato surge a inevitável luta entre os dois.

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Não Fala Comigo!

A obra de ficção retrata a história de um casal no sertão brasileiro, que com sua simplicidade, grande sabedoria e sensibilidade, soube derrubar obstáculos, não permitindo à amargura do sofrimento privá-los de amarem e serem amados pelo filho autista. “Não fala comigo!” traz esperança, informação, diverte e faz chorar ao mesmo tempo. Vem dizer a todos que os diferentes podem ser iguais, e que autistas têm muito a oferecer à nossa sociedade, ao nosso planeta.

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Tatão Malemais, o Capador de Anjos

Tatão Malemais, matuto mineiro que mora numa encantadora cidadezinha de Mato Grosso tem por predileção capar anjos e fritar seus testículos. Iguaria inimaginável segundo ele. Um dia acorda com um anel no dedo e ao esfregá-lo inicia uma série de viagens ao passado. Mirabolante história. Ao retornar ao presente encontra o caos. Os gananciosos produtores de soja, algodão, milho, girassol, aliados aos criadores de gado acabaram com o cerrado. Apenas seu pedaço de chão sobrevive tornando-se alvo de cobiça das multinacionais. Tatão Malemais luta contra tudo e contra todos até que um dia tem seu valor reconhecido.

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Os Deserdados da Sorte

Neste livro de poemas encontramos um texto sobre a vida e a morte de um rio, a destruição e os gestos aflitos daqueles que ainda dele — cada dia menos — retiram pequenas migalhas para sobrevivência; sobre um sobrevivente de um mundo desprovido de sonhos, mas que mesmo assim, sonha e se define réu confesso de crimes que nunca cometeu e sobre a a miséria, a solidão e a natureza humana.

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Bom-dia Senhor Presidente

Neste livro o autor nos põe em contato com as agruras de uma família de retirantes que atravessa dois estados e chega numa imaginária cidade chamada Mimoso – a maior e mais industrializada do também imaginário Pirambeiras. São treze dias de viagem, com narração entre sofrimento e poesia. Para um dos membros da família o destino reservava futuro brilhante: a presidência da República. Após ser engraxate, metalúrgico, deputado federal, três vezes candidato a presidente derrotado em sucessivas eleições, finalmente realiza seu sonho: é eleito presidente. Começa então o pesadelo da população.

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