Jackson Valério

A obra “Quando a vida faz uma curva”, publicada em 2013 pela Carlini e Caniato Editorial, é a autobiografia do advogado e importador de aeronaves Jackson Wesley Valério.

Em 2002, Valério sofreu um acidente grave na Rodovia Emanuel Pinheiro, sentido Cuiabá – Chapada dos Guimarães. Após o ocorrido, o escritor ficou 21 dias em coma, fraturou 12 ossos, teve quatro faturas expostas, dois traumatismos cranianos, oito paradas cardiorrespiratórias, perdeu uma das pernas e os movimentos de um dos braços.

Carlini e Caniato Quando a Vida Faz uma Curva

Valério trabalhou por 10 anos em sua autobiografia. Por ocasião do lançamento, o autor disse em uma entrevista: “No final de 2002 fiz uma ‘carta de despedida’ bem humorada para minha perna, e então pensei: sou o testemunho vivo de um milagre. Não perco a oportunidade de contar a minha experiência e sempre que posso estou de bermudas, seja no shopping, no centro da cidade, na igreja e até na balada. Pode ser que eu cruze com um desconhecido e, se ele estiver amargo com a vida, quem sabe não reflita ao ver um cara de 37 anos sem uma perna e com um braço inerte numa tipóia?”.

O escritor Rômulo Netto, em uma resenha sobre a obra (leia o texto completo abaixo), afirmou que “Quando a vida faz uma curva” “não é apenas um livro. É o exemplo vívido de superação”.

Jackson Wesley Valério é natural de Dourados (Mato Grosso do Sul( e residente em Cuiabá (Mato Grosso) há mais de 20 anos. É advogado, ex-funcionário do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, ex-vice-presidente da Comissão de Estagiários da OAB-MT e ex-concurseiro, além de poeta nas horas vagas.

Após sobreviver, com sequelas permanentes ao gravíssimo acidente motociclístico, pelo qual tinha apenas 20% de chances de vida, decidiu contar sua bem-humorada experiência de superação e coragem, mas também falar seriamente de valores e espiritualidade.


Já foi escoteiro, paraquedista, fez artes marciais, tocou em banda de rock, escalou o ponto mais alto de Mato Grosso (Morro São Jerônimo) e fez parte de um motoclube, entre outras atividades. Em 2008, seis anos após o acidente, abandonou o 1º lugar na prova objetiva para o Ministério Público de MT para seguir sua intuição profissional, e hoje presta consultoria na importação de aeronaves.

Onde comprar

A obra “Quando a vida faz uma curva” está disponível para todo o Brasil no site da Carlini e Caniato Editorial. Clique AQUI para acessar.

Resenha do escritor Rômulo Netto (15.5.2013)

Os dois tons de vermelho

Estou sentando sobre a cama, no meu quarto, curtindo a solidão. Diante de mim um desafio: enfrentar a leitura de um livro de autor desconhecido. O título já me invoca ardiloso enigma: “Quando a vida faz uma curva”.

Reluto em iniciar a leitura. Impossível furtar-me a este mister, principalmente após ler a dedicatória gentil que o autor fez, sem sequer ter ouvido antes falar meu nome.

Quebrei a barreira da resistência. Na primeira investida li da página treze até a sessenta e cinco. Parei, não por cansaço ou tédio, mas pelo choque inicial da leitura. Queria avançar e não conseguia. Só pensava em escrever algo sobre o livro, tecer meus comentários, mas não seria nada delicado fazê-lo antes de ler o último parágrafo.

O segundo dia foi longo. Reiniciei a leitura às três e meia da tarde e parei quando o relógio marcava vinte minutos para as onze.

Trazia comigo a certeza de escreveria algo com o título de “Os dois tons de vermelho”.

A cor tem um significado muito forte para mim. É sangue. É vida. E é morte.

O primeiro tom de vermelho traduz sua coragem de expor cruamente, sem esconder o menor dos detalhes, a vida bandida que levou às escondidas, os pequenos delitos de fumar maconha, dar um tapa, cheirar uma coca e achar tudo normal.

Muitos poderão dizer que você não estava se agredindo, mas agredindo aos entes mais queridos, como seus pais. Não o creio. Você sofria da solidão interior e só tomaria conhecimento dela através da dor.

Coragem nata, robutez de caráter que, mesmo sabendo provocar dor em quem mais amava e ama, você soube expressar através de inúmeras páginas de seu livro.

O segundo tom de vermelho é mesmo o sangue. O acidente do qual você foi a vítima inocente. Aventureiro das estradas, acostumado a superar suas barreiras, tão habituado a ver a máquina possante ultrapassar os cento e cinquenta quilômetros por hora, como se fosse a coisa mais natural do mundo, você nem teve tempo de, aos quarenta km/h, encontrar uma “jamanta” de dez toneladas que invadira a pista, colidindo frontalmente, deixando-o estirado no chão, entre a vida e a morte.

O vermelho agora surge mais vermelho do que nunca. Primeiro sob a forma de sangue, depois, nos anos seguintes, como dor e sofrimento.

Você fez uma imersão no universo infinito do padecimento. Chorou tantas lágrimas, mas em momento algum demonstrou fraqueza. Em lugar algum de “Quando a vida faz uma curva” você sinalizou desistência. Pelo contrário. Levantou a cabeça e foi à luta. Lutou com toda a gana contra todas as adversidades. Padeceu. Caiu. Se pôs de pé. Cabeça erguida, jocoso com sua própria sorte e sina. Fez de sua dor pilhérias. Mostrou sua fibra, sem arrogância. Nos exemplificou da maneira mais simples sua fé em Deus, não nas seitas religiosas. O que vale é tê-Lo em nossos corações e não sair discutindo qual é a melhor igreja para frequentar. Cada um de nós tem sua escolha. Cada um de nós tem sua igreja dentro de si e o que interessa é tê-Lo conosco.

Terminei, por volta das oito horas, a leitura do seu livro. Demorei, porque não queria acabar de ler, fui economizando na leitura, empurrando com a barriga, protelando o final, até que a ordem final partiu do cérebro e determinou acabar de uma vez por toda com a embromação, mas ficando bem claro que o livro merece e merecerá releituras.

Não é apenas um livro. É o exemplo vívido de superação. Será prazeroso ler outros livros seus, em breve.