Virgínia
Angelina
Angelina é uma senhora, já avó, que mora no campo, junto às montanhas. Solitária e singelamente conduz sua vida com seus próprios cultivos e afazeres tradicionais. Mas a expansão das cidades vai se aproximando e mudando a paisagem e o modo de se viver.
Aprofundamento
A narrativa em terceira pessoa apresenta ao(à) leitor(a) a personagem Angelina e seu modo de ser totalmente arraigado ao ambiente natural que habita e aos modos tradicionais que mantém de se ocupar e apreciar a vida.
A descrição detalhada do ambiente, das verduras, legumes e frutas que Angelina cultiva, assim como o transcorrer de seu dia e seus sentimentos, transmite a sensação do ritmo lento e contemplativo da personagem.
Mas eis que uma mudança muito grande vem surgindo para transformar drasticamente a vida de Angelina e de tantas outras pessoas: o avanço das grandes cidades sobre a vida no campo, com a destruição da natureza, o surgimento de elementos urbanos e a imposição de outro estilo de vida e convivência.
Sugestões aos educadores e mediadores de leitura
Faixa etária: a partir dos 5 anos
Trabalho interdisciplinar: Língua Portuguesa / Geografia / Sociologia / Filosofia
Indicação: 1º e 2º Ano - Ensino Fundamental I
Assuntos: modos de vida no campo e na cidade, família, passagem do tempo, alimentação, forma de trabalho, aspectos da natureza
Temas contemporâneos: meio ambiente, urbanidade, cidadania
O insight dos insetos
Úrsula é uma menina estudiosa e criativa. Ao ter em mãos um livro sobre as formas dos animais e reparar que vários de seus nomes são proparoxítonas, ela resolve criar histórias para cada um deles e montar seu próprio livro. Em linguagem poética une biologia e gramática, ressaltando a beleza da natureza em seus detalhes. Um glossário contribui para a ampliação do conhecimento de termos pouco conhecidos.
Sugestões aos educadores e mediadores de leitura
Faixa etária: a partir dos 9 anos
Trabalho interdisciplinar: Língua Portuguesa / Biologia / Filosofia
Indicação: últimos anos do Ensino Fundamental I e por todo o Ensino Fundamental II
Assuntos: acentuação tônica, insetos, classificação biológica, momento de compreensão da essência de algo
Temas contemporâneos: meio ambiente, saúde
Com Por
Em Com por Aclyse trabalha seus poemas em total união entre composição escrita e musical.
“Contra o sombrio clima do pós-tudo, sua solaridade é bálsamo e antídoto. Seus poemas, porém, não se vazam em formas literárias ou visões de mundo ingênuas: neles, a simplicidade é conquista e construção.” (Antonio Carlos Secchin)
Resumo da ópera
Um homem que soube da própria morte pelo jornal, uma menina cujos cabelos não paravam de crescer, um rapaz que se via replicado dentro de uma lantejoula, a mulher que conversava com um buraco na parede do apartamento, o arco-íris anunciado na vitrine de uma loja de brinquedos, todas essas histórias fantásticas estão na reunião de contos de Eduardo Mahon. Questionar os limites do possível e transformar os sonhos em realidade cotidiana faz parte do universo do autor, comprometido com a refundação da mágica na vida dos seus leitores.
O vírus do Ipiranga
As personagens do livro de contos O vírus do Ipiranga vivem situações limítrofes, pressionadas pela angústia da quarentena. Forçadas a vivenciar o isolamento social, evidenciam suas neuroses até o limite do verossímil. Surgem nessa zona cinzenta entre o possível e o impossível situações que obrigam o leitor a refletir sobre a própria humanidade, seus medos, desejos, ambições e angústias. Eduardo Mahon encerra a coletânea com um texto longo a costurar realidades sociais simultâneas, tão longe e tão perto de todos nós.
Galileu dançou por muito menos
O angustiante cotidiano de Adalberto fica ainda mais opressivo quando ele recebe a notícia de que o antigo espelho veneziano está quebrado. Ao conferir a informação, depara com o insólito: um outro Adalberto surge para dizer duras verdades que o protagonista precisa ouvir a fim de passar a limpo a própria vida. O conto de Eduardo Mahon coloca o leitor frente a frente consigo mesmo a perguntar-se: será possível?
Mulheres silenciadas e vozes esquecidas: três séculos de poesia feminina em Mato Grosso
A obra retoma a produção lírica feminina através de textos escritos no século XIX e no decorrer da primeira metade do XX por mulheres poetisas, em Mato Grosso, como participantes expressivas da literatura produzida no estado. A ausência de boa parte das poetisas nas historiografias locais denuncia uma espécie de pressão silenciosa no interior de um processo ocorrido em periodos de emancipação e libertação. Ora, os desdobramentos equivocados de pesquisas parciais, que se definem como historia ou historiografia da literatura produzida no estado demarcaram e demarcam, para a lírica de autoria feminina, os limites de uma historiografia do silenciamento.
Jardim de ossos
Jardim de ossos de Marli Walker explora, como o título indica, a profusão de ossadas que vão se produzindo na vida de uma pessoa ao longo do tempo. O principal campo semântico a ser trabalhado é o do osso enquanto estrutura que se forma em torno da subjetividade conforme se acumulam as experiências vividas. Todos os seres humanos que alcançaram algumas décadas de existência forçosamente apresentam certa couraça de proteção construída pelo acúmulo de desilusões e perdas. A fossilização dos afetos, pelo menos em certa medida, é necessária à sobrevivência e também inevitável.
Elvis e Lola
Elvis e Lola são um coelho e uma coelha muito diferentes um do outro, mas mesmo assim constroem uma linda história. Ao irem descobrindo que podem existir novos gostos e hábitos vão ampliando seus horizontes e modo de vida.
Sugestões aos educadores e mediadores de leitura
Faixa etária: a partir dos 8 anos
Trabalho interdisciplinar: Sociologia / Geografia
Indicação: Ensino Fundamental I
Assuntos: Respeito às diferenças, amizades, auto-estima
Temas contemporâneos: afetividade, diversidade
Água não tem galho
Água não tem galho traz como matéria um lugar. Sob a forma do conto, instaura suas narrativas num espaço comum. Cuiabá é a porção em que os narradores se pronunciam, os tempos progridem, os conflitos amarram. A cidade é o lugar-personagem onde todas as personagens se movem, do começo ao fim.
O livro reúne cinco autores, que se conheceram entre oficinas literárias e continuaram se reunindo,
para prosear sobre literatura, mas também tecê-la. Em cada autor, uma Cuiabá para macular a ideia de cultura regional pura.
Na pele
Na pele foi escrito durante a pandemia do Covid-19. A obra traz as mudanças nos dias de confinamento da autora poetisa, seus fluxos e percursos. Diz Luciene: “nas primeiras semanas desse aquilombamento, com raras saídas e nenhuma visita, minha garganta entrou em colapso; meu coração de poeta percutiu numa batida que me atravessou inteira: eu queria falar sobre ser preta, queria dialogar com os pretos do meu hoje; através dos meus versos, queria conversar com os viajantes da Rota da Melanina. Urgia. Na TV, estarrecida, vi joelhos sobre pescoços negros: sincronicidade: eu também não estava conseguindo respirar...
Escrevi estes versos em 61 dias, entre 25/05 e 25/07 de 2020.