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“A Japa e outros croni-contos cuiabanos”, de Silva Freire, reúne 27 textos em prosa do autor, alguns inéditos, resultado de um trabalho de “garimpagem” feito pela pesquisadora Cristina Campos e publicado pela Carlini e Caniato Editorial. Freire foi jornalista, poeta, professor, um nome importante na história política do País, precursor da Poesia Concreta e um dos mentores do Intensivismo, movimento de vanguarda literária nacional cujo berço foi Cuiabá.

O livro, composto de croni-contos (gênero híbrido que reúne crônica e conto),  demonstra a tendência do autor ao experimentalismo na hora de escrever. Cristina Campos, pesquisadora, professora de língua portuguesa e literatura e doutora em educação pela Universidade de São Paulo (USP), destaca a escrita “panorâmica” de Silva Freire, pela qual é possível penetrar no universo descrito. “Quando ele fala, por exemplo, do menino que ia pescar, descreve a planta com a qual fez a vara, o anzol, a isca, a beira do rio, é possível imaginar toda a cena, detalhadamente. A gente volta no tempo: sente os cheiros, as cores precisas, o vento… O bom escritor consegue esse efeito sobre a gente e Freire é um grande nome da nossa Literatura”.

A pesquisadora chama a atenção para o fato de que Silva Freire é um dos primeiros autores mato-grossenses que voltou sua atenção para o social, não como uma literatura engajada, mas para registrar o cotidiano da cuiabania, valorizando sua tradição oral. De acordo com Campos, Freire possuía a habilidade de conviver com gente de todo tipo, pois circulava com desenvoltura por estratos sociais diferenciados, registrando, pacientemente, detalhes que passariam despercebidos pela maioria.

“A Japa e outros croni-contos” começou a ser gestado a partir de uma pesquisa feita por Cristina Campos em 2007, reunindo textos pouco conhecidos, porém muito importantes do autor para “mostrar aos alunos a cuiabania”.  Como fontes, foram utilizados os arquivos do jornal Correio da Imprensa das décadas de 1970-1990, onde Silva Freire publicava seus textos, livros já esgotados, ilustrados e diagramados por Wlademir Dias Pino, revistas, originais datilografados e de próprio punho disponibilizados por sua família.

O resultado, segundo Cristina, é um panorama do estilo freiriano, marcado pelo registro do dialeto cuiabano e pelo experimentalismo, pela exploração de regionalismos, neologismos e sonoridades de poeta acostumado. Entre os temas recorrentes estão a infância e a adolescência, suas “danadezas” e descobertas.  “As gerações anciãs certamente ficarão emocionadas ao ler estas páginas que pescam/presentificam imagens do passado, numa rede nervosa e semovente de signos. As novas se surpreenderão com o contraste de um tempo bem aí, no entanto tão longe e distinto, aparentemente”, encerra ela no prefácio da obra.

Sobre o autor

CENTRAL-968

Benedito Sant’Ana da Silva Freire nasceu no município de Mimoso, em 20 de setembro de 1928, mas foi registrado em Cuiabá. Graduou-se em Direito pela Faculdade Cândido Mariano, no Rio de Janeiro-RJ, em 1959. Foi contínuo, auxiliar judiciário, escriturário, oficial de diligência substituto da Justiça do Trabalho, em Cuiabá, São Paulo e Rio de Janeiro; conselheiro da Caixa Econômica Federal, em Mato Grosso; delegado regional do SAPS e SENAM (extintos); professor do Departamento de Direito da UFMT; presidente do Tribunal de Justiça Desportiva da FMD (extinta); conselheiro, presidente da Comissão de Exame e vice-presidente do Conselho Seccional da OAB-MT; presidente do Instituto dos Advogados Mato-grossenses.

Foi também secretário geral da União Metropolitana dos Estudantes; presidente do Diretório Central dos Estudantes das Faculdades Independentes; diretor de Cultura da UNE; presidente do Teatro Universitário Brasileiro (1956-1959); diretor-redator da revista Movimento (1957-1959), da UNE; do jornal O Roteiro, da AME-MT; e da página universitária do jornal O Semanário, no Rio; membro do Clube de Poesia da cidade de Campos-RJ. Fundou o Grêmio Literário Lamartine Mendes, os jornais Arauto da Juvenília, Vanguarda Mato-grossense, Saci (1949) e Sarã (1951), em Cuiabá, e Japa, no Rio.

Escreveu para os jornais: Tribuna Liberal, O Social Democrata e Folha Trabalhista, de Campo Grande; O Momento, de Corumbá; Folha Mato-grossense, Correio da Imprensa, O Estado de Mato Grosso e revista Esquema, de Cuiabá.

Fundou e dirigiu os suplementos literários: Poemas e Letras, no jornal Equipe; e Proposta, no jornal Folha da Serra, de Campo Grande. Promoveu, com outros parceiros, eventos e peças de teatro, em Cuiabá e no Rio de Janeiro; como advogado, atuou em inúmeras causas sociais.

Serviço

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(Da Assessoria)